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TDAH em crianças em Goiânia

Sua criança parece se distrair com facilidade, esquecer tarefas, perder objetos, agir antes de pensar ou ter muita dificuldade para se organizar? Entenda quando esse padrão merece avaliação.

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O que a família precisa saber primeiro

Resposta direta

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por padrões persistentes de desatenção e/ou hiperatividade e impulsividade que são inadequados para o nível de desenvolvimento e provocam prejuízo funcional. Uma criança não tem TDAH simplesmente porque é agitada, esquece materiais ou se distrai algumas vezes. A avaliação precisa considerar persistência, intensidade, presença em mais de um contexto e impacto real na escola, em casa, nas relações e na rotina.

TDAH não significa simplesmente não prestar atenção. A dificuldade pode envolver sustentar atenção, organizar tarefas, acompanhar instruções, resistir a distrações, concluir o que começou, lembrar compromissos, controlar respostas impulsivas e administrar o tempo. Por isso, uma criança pode ter dificuldade importante em uma tarefa escolar e, em outro momento, permanecer envolvida por bastante tempo em uma atividade de grande interesse. Conseguir se concentrar em determinadas atividades não exclui TDAH. Também existem apresentações predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa-impulsiva e combinada, e a forma como as características aparecem pode mudar ao longo do desenvolvimento.

Sinais e dificuldades que merecem atenção
  • dificuldade persistente para manter atenção em atividades adequadas à idade
  • necessidade frequente de repetição de instruções
  • começa várias tarefas e termina poucas
  • esquece com frequência materiais, compromissos ou combinações
  • perde objetos necessários para a rotina
  • apresenta dificuldade importante para organizar tarefas e administrar o tempo
  • distrai-se facilmente com estímulos ao redor
  • levanta-se repetidamente quando precisa permanecer sentado
  • movimenta-se de forma excessiva em diferentes situações
  • fala ou responde impulsivamente
  • tem dificuldade frequente para esperar a vez
  • interrompe pessoas ou atividades
  • toma decisões impulsivas que geram problemas
  • apresenta desempenho escolar muito inconsistente
  • tem dificuldade para estudar mesmo quando parece conhecer o conteúdo
  • vive conflitos frequentes relacionados a esquecimentos, impulsividade ou organização
  • apresenta frustração ou baixa autoestima relacionadas às dificuldades
  • mostra um padrão de comportamento significativamente diferente do esperado para outras crianças da mesma faixa de desenvolvimento
Quando procurar avaliação
  • quando as dificuldades permanecem durante vários meses e não parecem apenas circunstanciais
  • quando aparecem em casa, na escola ou em outros contextos importantes, e não somente em uma situação isolada
  • quando professores e familiares percebem dificuldades semelhantes
  • quando a desatenção interfere de forma relevante na aprendizagem
  • quando a impulsividade provoca conflitos, acidentes ou outros riscos
  • quando a organização da rotina exige supervisão muito maior do que o esperado para a idade
  • quando a criança parece saber o conteúdo, mas não consegue demonstrá-lo de maneira consistente
  • quando existem dificuldades importantes nas amizades, na convivência familiar ou na autoestima
  • quando a família não consegue diferenciar TDAH de ansiedade, dificuldade de aprendizagem, sono inadequado, linguagem ou outra condição
  • quando existem outras características do neurodesenvolvimento que também precisam ser investigadas
Como a avaliação pode acontecer
  1. levantar a história do desenvolvimento, incluindo comportamento, rotina, sono, saúde, escolarização, aprendizagem, relacionamentos e evolução das dificuldades ao longo do tempo
  2. compreender com a família quais comportamentos preocupam, quando começaram, em quais situações aparecem, com que frequência e quais consequências geram
  3. obter informações da escola sobre atenção, conclusão de tarefas, organização, impulsividade, comportamento, aprendizagem e convivência com colegas
  4. avaliar clinicamente se o padrão apresentado é compatível com critérios diagnósticos e se existe prejuízo funcional significativo
  5. utilizar escalas e questionários quando indicados como ferramentas auxiliares, sem transformar uma pontuação isolada em diagnóstico
  6. investigar diagnósticos diferenciais e condições associadas, como ansiedade, depressão, transtornos do sono, dificuldades de aprendizagem, dislexia, dificuldades de linguagem, autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento
  7. considerar avaliação neuropsicológica quando houver indicação para compreender atenção, memória, funções executivas, planejamento, controle inibitório, velocidade de processamento, aprendizagem e perfil cognitivo
  8. integrar as informações de diferentes contextos antes da devolutiva e da definição dos próximos passos
O que acontece depois da avaliação
  • definir prioridades a partir do impacto funcional da criança, e não apenas a partir da presença de sintomas isolados
  • construir um plano individualizado que pode combinar orientação familiar, intervenções psicológicas e comportamentais, estratégias escolares, organização da rotina e acompanhamento de dificuldades associadas
  • articular família, escola e profissionais quando as dificuldades repercutirem no desempenho acadêmico ou na participação escolar
  • na Psicologia, quando indicada, trabalhar autorregulação, comportamento, organização, planejamento, autoestima, frustração, ansiedade, habilidades sociais e orientação parental
  • na Psicopedagogia, quando indicada, compreender como a criança aprende, estuda e organiza tarefas e investigar dificuldades específicas de leitura, escrita ou matemática
  • na Fonoaudiologia, quando existirem dificuldades associadas de linguagem, comunicação, leitura ou escrita, avaliar se há outra condição que necessite de acompanhamento específico
  • na Terapia Ocupacional, quando houver dificuldades funcionais relevantes, compreender como atenção, organização e autorregulação afetam a participação nas atividades do cotidiano
  • utilizar avaliação neuropsicológica quando houver indicação clínica para caracterizar o perfil cognitivo e as funções executivas, sem tratá-la como um teste isolado que confirma ou exclui TDAH
  • considerar acompanhamento médico quando necessário, inclusive para avaliação de tratamento medicamentoso; medicamentos devem ser prescritos e acompanhados por profissional médico habilitado
  • revisar periodicamente objetivos, adaptações e intensidade do cuidado conforme a criança se desenvolve e as demandas mudam
  • evitar atribuir as dificuldades a preguiça, falta de esforço ou falta de limites; responsabilidades continuam importantes, mas precisam ser acompanhadas de estratégias compatíveis com as habilidades da criança
  • na escola, considerar estratégias individualizadas como instruções objetivas, divisão de tarefas longas em etapas, apoio visual, redução de distrações quando necessário, planejamento, lembretes de prazos e organização de materiais
O que a família pode fazer em casa
  • crie rotinas previsíveis e deixe compromissos importantes visíveis
  • mantenha instruções curtas e objetivas e, quando necessário, apresente uma tarefa de cada vez
  • use listas, calendários ou outros recursos visuais que ajudem a organizar a rotina
  • estabeleça locais fixos para objetos importantes, como material escolar e itens de uso diário
  • divida tarefas grandes em etapas menores e mais manejáveis
  • ajude a criança a aprender estratégias de organização gradualmente, em vez de organizar tudo permanentemente por ela
  • reforce progressos concretos e evite transformar cada esquecimento em conflito
  • mantenha regras claras, previsíveis e consistentes
  • reserve tempo adequado para sono, atividade física, brincadeira e descanso
  • converse com a escola quando atenção, impulsividade ou organização estiverem interferindo na aprendizagem
  • lembre que a meta é desenvolver autonomia progressiva, e não criar dependência constante da supervisão adulta
Revisão institucional: Clínica AlegrareÚltima revisão: 2 de setembro de 2026
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PERGUNTAS FREQUENTES

Dúvidas comuns das famílias

REFERÊNCIAS

Fontes e referências

Selecionamos referências clínicas amplamente utilizadas e, quando pertinente, estudos brasileiros que ajudam a contextualizar o desenvolvimento infantil na nossa população.

  1. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade - TDAH • Ministério da Saúde • 2022
  2. Clinical Practice Guideline for the Diagnosis, Evaluation, and Treatment of Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents • American Academy of Pediatrics • 2019
  3. Diagnosing ADHD • Centers for Disease Control and Prevention (CDC) • 2026
  4. Attention deficit hyperactivity disorder: diagnosis and management - NG87 • National Institute for Health and Care Excellence (NICE) • 2025
  5. Lei nº 14.254, de 30 de novembro de 2021 • Brasil - Presidência da República • 2021
  6. Disregarding Impairment in ADHD Diagnosis Inflates Its Prevalence • Caye et al. • 2020
  7. The interplay between ADHD and school shift on educational outcomes in children and adolescents • Porto et al. / Brasil • 2025
PRÓXIMO PASSO

A atenção, a impulsividade ou a organização estão dificultando a rotina da sua criança?

Nem toda distração ou agitação significa TDAH. Uma avaliação adequada pode ajudar a compreender se existe um padrão persistente, quais áreas estão sendo afetadas e quais próximos passos realmente fazem sentido.

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