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Autismo (TEA) em crianças em Goiânia

Sua criança se comunica, brinca, interage ou reage ao ambiente de uma maneira diferente do esperado? Entenda quais sinais merecem atenção e como organizar os próximos passos sem concluir um diagnóstico a partir de um comportamento isolado.

ENTENDA O TEMA

O que a família precisa saber primeiro

Resposta direta

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento cujas características centrais envolvem diferenças persistentes na comunicação e interação social, associadas a padrões restritos ou repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A forma como essas características aparecem varia muito. Atraso de fala não é obrigatório para que exista autismo e falar bem não exclui TEA. Nenhum comportamento isolado permite concluir que uma criança é autista: a avaliação precisa compreender o desenvolvimento como um todo.

Autismo não é sinônimo de atraso de fala. Algumas crianças autistas ainda não utilizam fala oral, outras falam poucas palavras e outras possuem vocabulário amplo e falam bastante. O que precisa ser compreendido é como a criança se comunica, interage, compartilha interesses, utiliza gestos, brinca, lida com mudanças, apresenta interesses ou comportamentos repetitivos, responde aos estímulos sensoriais e participa das atividades do cotidiano. Mesmo quando a oralidade está desenvolvida, podem existir diferenças na comunicação social, como dificuldade para sustentar trocas, perceber o que o interlocutor precisa saber, compreender linguagem implícita ou adaptar a comunicação às situações.

Sinais e dificuldades que merecem atenção
  • responde pouco ou de maneira inconsistente quando chamado pelo nome
  • utiliza poucos gestos para compartilhar interesses ou experiências
  • aponta principalmente para conseguir algo, mas pouco para mostrar algo interessante
  • apresenta dificuldade para compartilhar atenção entre uma pessoa e um objeto ou acontecimento
  • busca pouco o outro de forma espontânea para dividir experiências
  • apresenta diferenças no contato visual durante a interação
  • tem dificuldade para iniciar ou sustentar trocas sociais
  • apresenta fala atrasada ou um desenvolvimento diferente da linguagem
  • repete palavras, frases ou trechos de conteúdos que ouviu anteriormente
  • apresenta interesses muito intensos ou específicos
  • realiza brincadeiras ou movimentos de forma repetitiva
  • demonstra preferência muito forte por determinadas rotinas
  • apresenta sofrimento importante diante de mudanças
  • reage de forma intensa ou muito reduzida a sons, texturas, cheiros, luzes, movimentos ou outros estímulos sensoriais
  • explora objetos ou brincadeiras de maneiras muito particulares
  • encontra dificuldade para participar de determinadas situações sociais
  • apresenta diferenças importantes no uso social da linguagem mesmo quando fala bastante
  • perdeu habilidades de comunicação ou interação que já utilizava anteriormente
Quando procurar avaliação
  • quando a família percebe diferenças persistentes na comunicação, interação, brincadeira ou participação social
  • quando a criança fala pouco ou apresenta desenvolvimento de linguagem diferente do esperado e existem outras dúvidas sobre interação e comunicação
  • quando a criança fala, mas tem dificuldade importante para utilizar a linguagem nas trocas sociais
  • quando responde pouco ao nome, utiliza poucos gestos ou compartilha pouco interesses e experiências
  • quando existem comportamentos repetitivos, interesses muito intensos ou necessidade de rotina que interferem no cotidiano
  • quando sensibilidades sensoriais dificultam alimentação, autocuidado, escola, sono, brincadeiras ou outras atividades
  • quando escola, pediatra ou outros profissionais também percebem diferenças no desenvolvimento
  • quando as características começam a limitar comunicação, aprendizagem, autonomia ou participação da criança
  • quando houve perda de habilidades que já estavam presentes
Como a avaliação pode acontecer
  1. conversa detalhada com a família sobre gestação, nascimento, primeiros anos, comunicação, linguagem, brincadeiras, interação, comportamento, alimentação, sono, sensorialidade, escola, interesses, rotina e habilidades adquiridas ou eventualmente perdidas
  2. observação de como a criança inicia interações, responde ao outro, compartilha interesses, utiliza gestos, brinca, comunica necessidades, compreende situações e reage a mudanças
  3. avaliação da comunicação e linguagem, incluindo intenção comunicativa, compreensão, linguagem oral, gestos, atenção compartilhada, pragmática, fala e uso funcional da comunicação
  4. investigação de outros aspectos do desenvolvimento conforme a necessidade, como cognição, atenção, funções executivas, comportamento, desenvolvimento motor, processamento sensorial, autonomia, aprendizagem, alimentação e participação social
  5. integração de informações da escola e de outros contextos relevantes para compreender como a criança participa em situações reais
  6. uso de instrumentos de rastreio ou avaliação quando clinicamente indicados, sem tratar uma pontuação isolada como diagnóstico
  7. integração multiprofissional dos achados quando diferentes áreas participarem do processo
  8. devolutiva para a família com explicação sobre habilidades, necessidades, barreiras observadas e próximos passos; o diagnóstico de TEA é clínico e deve ser realizado por profissionais habilitados a partir de avaliação adequada do desenvolvimento
O que acontece depois da avaliação
  • definir prioridades a partir das necessidades reais da criança, e não simplesmente a partir do nome do diagnóstico
  • favorecer comunicação funcional, autonomia, participação, segurança, aprendizagem e qualidade de vida
  • na fonoaudiologia, trabalhar comunicação, compreensão, linguagem oral, comunicação social, pragmática, fala e Comunicação Aumentativa e Alternativa conforme o perfil
  • na Terapia Ocupacional, quando indicada, abordar autonomia, atividades de vida diária, brincar, participação escolar, coordenação, processamento sensorial e adaptações do ambiente
  • na Psicologia, quando indicada, apoiar desenvolvimento emocional, comportamento, ansiedade, relações, habilidades sociais e necessidades da família
  • na Psicopedagogia, quando indicada, compreender e apoiar necessidades relacionadas à aprendizagem e ao contexto escolar
  • considerar avaliação neuropsicológica quando houver indicação para compreender cognição, atenção, funções executivas, aprendizagem e outros aspectos do perfil
  • utilizar Comunicação Aumentativa e Alternativa quando a fala não atende plenamente às necessidades da criança, sem exigir que a família espere a fala aparecer primeiro
  • articular estratégias com a escola para reduzir barreiras, tornar instruções mais acessíveis, antecipar mudanças quando necessário e ampliar oportunidades de participação
  • não transformar características autistas inofensivas em alvos terapêuticos apenas para que a criança pareça mais típica; a intervenção deve responder a necessidades funcionais
  • revisar objetivos e intensidade do acompanhamento ao longo do desenvolvimento; mais horas de terapia, isoladamente, não significam melhor cuidado
  • escolher abordagens a partir das necessidades, habilidades, preferências, contexto familiar, evidências disponíveis e resposta da criança, sem prescrição automática de método pelo diagnóstico
O que a família pode fazer em casa
  • observe como sua criança já comunica interesses, escolhas, recusas e necessidades
  • participe das brincadeiras e atividades que despertam interesse, buscando criar oportunidades reais de troca
  • dê tempo para que a criança responda e evite pressionar por respostas imediatas
  • utilize linguagem clara e recursos visuais quando eles facilitarem compreensão e participação
  • antecipe mudanças importantes quando isso ajudar a reduzir sofrimento e facilitar adaptação
  • respeite formas diferentes de brincar e interagir quando elas não oferecem risco ou prejuízo funcional
  • não obrigue contato visual como objetivo em si mesmo
  • valorize fala, gestos, imagens, dispositivos e outras formas funcionais de comunicação
  • procure compreender a função de um comportamento antes de tentar eliminá-lo
  • compartilhe com profissionais e escola informações sobre o que facilita ou dificulta a participação da criança
  • não transforme a casa em uma clínica; estratégias domiciliares devem caber na rotina e preservar a relação familiar
Revisão institucional: Clínica AlegrareÚltima revisão: 2 de setembro de 2026
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REFERÊNCIAS

Fontes e referências

Selecionamos referências clínicas amplamente utilizadas e, quando pertinente, estudos brasileiros que ajudam a contextualizar o desenvolvimento infantil na nossa população.

  1. Transtorno do Espectro do Autismo em Pediatria • Sociedade Brasileira de Pediatria
  2. Diretrizes de Atenção à Reabilitação da Pessoa com Transtornos do Espectro do Autismo • Ministério da Saúde • 2014
  3. Consulta Pública - Revisão e atualização do Guia de Cuidado Integral às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) • Ministério da Saúde • 2026
  4. Autism and Autism Spectrum Disorder • American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) - Practice Portal
  5. Autism • World Health Organization (WHO) • 2025
  6. Funcionalidade da linguagem no transtorno do espectro do autismo: uma revisão de escopo • Revista CEFAC / Brasil • 2024
  7. Características de intervenção e estratégias fonoaudiológicas na atenção à criança autista em serviços de saúde: revisão de escopo • CoDAS / Brasil • 2025
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