O que a família precisa saber primeiro
Quando a criança fala pouco, demora para formar palavras ou parece ter dificuldade para se comunicar, vale observar o desenvolvimento da comunicação como um todo. Atraso de fala não é, por si só, um diagnóstico: é um sinal que pode justificar orientação e avaliação para compreender fala, linguagem, compreensão, gestos, interação e evolução ao longo do tempo.
A expressão “atraso de fala” é muito usada pelas famílias quando a criança parece falar menos ou se comunicar de forma diferente do esperado para sua idade. Clinicamente, porém, não basta contar palavras. É importante observar se a criança compreende o que as pessoas dizem, utiliza gestos, compartilha interesses, aprende palavras novas, começa a combinar palavras, consegue expressar necessidades e ideias e está evoluindo ao longo do tempo. Algumas crianças que começam a falar mais tarde evoluem bem; outras apresentam dificuldades persistentes de linguagem, fala ou comunicação. A avaliação ajuda a diferenciar essas trajetórias sem transformar um marco isolado em diagnóstico.
- fala muito menos do que a família esperava para sua idade
- demora para começar a utilizar palavras ou utiliza poucas palavras diferentes
- demora para começar a combinar palavras
- apresenta pouca evolução da comunicação ao longo dos meses
- parece ter dificuldade para compreender perguntas ou instruções adequadas à idade
- depende muito de gestos porque tem dificuldade para se expressar verbalmente
- demonstra frustração frequente porque não consegue comunicar o que deseja
- sua fala é difícil de compreender
- apresenta dificuldade para usar a comunicação nas brincadeiras, na escola ou na rotina familiar
- outros profissionais ou a escola também percebem dificuldades de comunicação
- perdeu palavras ou outras habilidades de comunicação que já utilizava anteriormente
- quando a família está preocupada com a comunicação da criança
- quando existe pouca evolução ao longo do tempo
- quando há dificuldade para compreender além da dificuldade para falar
- quando existe grande dificuldade para produzir palavras ou frases
- quando a criança fica frequentemente frustrada por não conseguir se comunicar
- quando a dificuldade começa a interferir nas brincadeiras, na escola ou na rotina familiar
- quando escola, pediatra ou outros profissionais também identificam sinais de atenção
- quando existem outras preocupações relacionadas ao desenvolvimento
- quando houve perda de palavras ou habilidades anteriormente adquiridas
- conversa com a família e levantamento da história do desenvolvimento, da rotina, das principais preocupações e das formas de comunicação da criança
- observação da comunicação em situações adequadas à idade, utilizando interação, brincadeiras e atividades clínicas
- avaliação da compreensão de palavras, perguntas, instruções e situações comunicativas
- avaliação da expressão por gestos, vocalizações, palavras, combinações de palavras, frases e outros recursos de comunicação
- análise da fala, dos sons produzidos e da inteligibilidade quando esses aspectos forem pertinentes ao caso
- integração entre história clínica, observação, informações da família e instrumentos apropriados ao perfil da criança
- devolutiva para a família com os achados e definição dos próximos passos; quando houver indicação de investigar audição ou outro aspecto fora do escopo da clínica, a família é orientada a procurar o profissional adequado
- compreender o perfil da criança antes de definir se existe necessidade de acompanhamento
- quando indicado, estabelecer objetivos funcionais e individualizados para comunicação, compreensão, vocabulário, combinações de palavras, frases ou fala
- favorecer a participação comunicativa da criança no cotidiano, e não apenas o desempenho em tarefas isoladas
- orientar a família sobre estratégias que possam ser incorporadas às situações naturais da rotina
- acompanhar a evolução ao longo do tempo e revisar os objetivos conforme as necessidades mudam
- articular escola, pediatra e outros profissionais quando o quadro exigir uma compreensão mais ampla do desenvolvimento
- diferenciar atraso de fala de condições como Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem, transtornos dos sons da fala ou Apraxia de Fala na Infância quando houver sinais clínicos para essa investigação
- encaminhar para avaliações complementares quando houver necessidade fora do escopo fonoaudiológico da clínica
- converse sobre o que a criança está fazendo, vendo e vivendo durante situações naturais como banho, alimentação, passeio e brincadeira
- acompanhe o interesse da criança e participe daquilo que já despertou sua atenção
- responda a olhares, gestos, sons e palavras como tentativas de comunicação
- acrescente linguagem de forma natural: se a criança diz “bola”, por exemplo, o adulto pode responder “é a bola” ou “a bola caiu”, sem exigir repetição constante
- leia livros, observe figuras e converse sobre histórias de forma compartilhada
- dê tempo para a criança organizar e concluir uma tentativa de comunicação
- use em casa a língua ou as línguas em que a família se comunica com naturalidade; o contexto linguístico deve ser considerado na avaliação
